Equilíbrio entre elementos traz previsibilidade ao processo e diminui retrabalhos e desperdícios
A flexografia está no centro da rotina de impressão de embalagens e rótulos, um mercado que movimentou US$ 517,9 bilhões em 2024, segundo o relatório The Future of Package Printing to 2029. No contexto da produção em alta escala, a diferença entre um processo estável e uma operação com constantes ajustes pode começar em um ponto pouco visível para quem está fora da fábrica: a formulação da tinta.
Em um setor em que produtividade e padronização caminham junto com a necessidade de reduzir perdas, a formulação de tintas para flexografia tem impacto que vai além da estética da cor. Uma tinta bem formulada contribui para um processo de impressão mais estável e previsível, o que na prática ajuda a diminuir retrabalhos, descartes de material e interrupções de produção, fatores que aumentam consumo de insumos e geração de resíduos.
O mito do “mais pigmento” e a ideia que sustenta a tinta de impressão
No chão de fábrica, ainda é comum a percepção de que tinta boa é a que possui mais pigmento ou a que seca mais rápido. Para o responsável pelo setor de pesquisa e desenvolvimento em solventes da Cyan Tintas e Vernizes, Vitor Preuss, essa leitura simplifica demais um sistema que funciona por interdependência.
“A tinta de impressão não é formada por um único ingrediente. Ela é um equilíbrio entre quatro principais elementos. Se você adicionar uma quantidade maior de apenas um componente para ganhar uma determinada característica, pode perder estabilidade em outra, e isso aparece na máquina de impressão”, explica Preuss.
Conceitualmente, tintas para flexografia são formadas por quatro elementos, cada um com papel próprio e complementar: pigmento, que entrega cor; resinas, que estruturam a tinta, ancoram os pigmentos e sustentam a aplicabilidade; aditivos, que refinam o desempenho, ajustam propriedades e dão resistência; e solventes, que funcionam como veículo, mantêm os componentes unidos, ajustam a viscosidade e influenciam na secagem.
“A cor chama atenção, mas quem garante que ela se mantenha controlada ao longo da tiragem é o conjunto. É aí que a formulação bem equilibrada vira desempenho”, completa Preuss.
O que muda na prática quando a tinta é bem formulada
Uma tinta bem formulada tende a rodar com menos necessidade de intervenções, reduzindo paradas para corrigir comportamento do produto e diminuindo retrabalho.
Essa lógica se conecta a um debate maior do setor: eficiência também é impacto. Menos paradas e retrabalhos costumam significar menos substrato descartado, menos consumo de insumos e menos resíduo gerado ao longo do processo de impressão.
Como a tinta nasce e onde os desvios são corrigidos na Cyan
O ciclo industrial de fabricação de tintas segue etapas amplamente conhecidas no setor, mas tende a se diferenciar pelo rigor de procedimentos, especialmente no controle de qualidade. Na Cyan, o fluxo é dividido em três etapas.
Na etapa de formulação, é feita a dosagem conforme a ordem de produção e homogeneização em um dispersor. Durante o Controle de qualidade os profissionais realizam a comparação do produto com o padrão desenvolvido no P&D; se houver desvio, são feitos ajustes finos para retorno à especificação. Após a liberação, a tinta é envasada e passa por filtração para evitar partículas indesejadas no produto.
“Desmistificar a tinta é mostrar que ela não é formulada por um só ingrediente e que sua qualidade deve ser analisada com atenção a outros aspectos além da cor. A tinta flexográfica é uma engenharia de equilíbrio. E equilíbrio, no setor industrial, é o caminho mais curto entre qualidade, produtividade e menos desperdício”, conclui Vitor.